
Apesar de pouco conhecidos no Brasil, Portugal produz vinhos espumantes com muita qualidade desde 1893. Entre as várias regiões produtoras de vinho espumante merecem destaque a Bairrada e o Douro.
Todos os vinhos espumantes deste catálogo foram produzidos pelo método clássico ou champanhês. De forma resumida, o método clássico consiste na adição de leveduras a um bom vinho base para que se efetue a segunda fermentação na garrafa. Dependendo da qualidade do vinho espumante, as garrafas estagiam até 36 meses em caves com temperaturas baixas e constantes e umidades altas. Quanto mais tempo em cave, mais fino delicado e complexo se torna o vinho espumante. Terminado o estágio em cave, as garrafas são agitadas para descolar completamente as borras das suas paredes. Então as garrafas são colocadas em estantes de madeira especiais, as pupitres, na posição diagonal com o gargalo para baixo. Inicia-se então o removimento ou “remuage” que consiste em inclinar a garrafa e girá-la um quarto de volta todos os dias. Ao final de duas semanas, a garrafa está na vertical, com o gargalo para baixo e as borras da segunda fermentação depositadas junto à boca da garrafa. A extração das borras tem o nome de dégorgement.
Só após todas estas operações é que o vinho espumante é comercializado. O resultado de todo este trabalho é um vinho rico nos aromas e sabores, que pode ser degustado a qualquer hora do dia e que está sempre associado à alegria e ao amor.
Infelizmente o mercado brasileiro está inundado de vinhos produzidos pelo método charmat, muito mais simples, rápido e barato que o método clássico. No método charmat a segunda fermentação é feita em grandes depósitos de inox.
De uma forma geral, os vinhos espumantes produzidos pelo método clássico apresentam bolhas pequenas e que persistem por muito tempo. Já os vinhos espumantes que utilizaram o método charmat tem bolhas mais grossas e menos persistentes.
Bairrada
Muito se tem escrito sobre a origem do nome Bairrada. Para alguns, a Bairrada é um conjunto de “bairros”, que no sentido popular significa terras fortes, argilosas e com excelente aptidão agrícola. Para outros, a Bairrada é um “bairro rural” ou “subúrbio extenso”, neste caso da cidade de Coimbra, da qual a região dependeu durante vários séculos.A Bairrada é uma sub–região da Beira Litoral com apenas 110.000 hectares, dos quais cerca de 15.000 hectares estão plantados com vinha. Localizada num planalto com altitudes entre 40 m e 120 m, rasgada por numerosos vales, a Bairrada tem um clima ameno. O solo tem uma boa aptidão vinícola, o que levou as várias gerações de agricultores a não se desfazerem dos terrenos que lhe couberam por herança. Esta é a principal razão do minifúndio dominar a região, sendo que a maioria das vinhas tem área inferior a um hectar.
Vinhos Espumantes da Bairrada
Algumas datas marcaram a história da viticultura da Bairrada.. Em 1137, D. Afonso Henriques, futuro primeiro Rei de Portugal, autorizou os Frades Crúzios de Coimbra a plantar vinhas nesta região. O Marquês de Pombal ordenou o arranque de todas as videiras, injustiça que foi corrigida algumas décadas mais tarde pela Rainha D. Maria autorizando a sua replantação. A região só foi demarcada em 1979 e a partir da vindima de 2003 a região sofreu uma autêntica revolução. Os estatutos da região foram modificados, permitindo que desta data em diante os vinhos com Denominação de Origem Bairrada pudessem ser elaborados com uma grande variedade de castas. Acabou assim a “ditadura” da casta Baga, existente até então nesta região. Além dos vinhos de mesa brancos e tintos, a Bairrada também é conhecida com uma das regiões mais importantes de vinhos espumantes em Portugal. A produção de vinhos espumantes na Bairrada teve início em 1893.
Em Anadia, a visita ao Museu do Vinho é imperdível.